Uma vez eu estava indo até o corredor da administração, quando fui surpreendido por um acompanhante de uma paciente, reclamando do atendimento recebido. Reclamando é pouco, ele estava mesmo muito bravo (só para não dizer aquela palavra que começa com a letra p...), então ele disse a seguinte frase: "Nesse hospital só tem FDP!!!", nesse momento eu pensei na minha velhinha lá em casa e que eu não era um FDP (pode até existir algum por lá, mas não era eu, mãe é mãe seja a profissão que tiver), bem, fui atrás do cidadão para saber o que estava acontecendo.
Quando eu o abordei, me apresentei e vi que ele se acalmou, me explicou que sua mãe estava aguardando para fazer um exame e que ela estava sem comer desde aquela manhã (nesse momento eram umas 15:00), que um dos motivos de que ele estava P...da vida era que ninguém tinha dado uma informação sobre o atraso do exame.
Bem, se era esse o problema eu fui procurar saber.
De posse da informação, voltei lá. Expliquei o que havia ocorrido e pedi mil desculpas, solicitei que esperasse mais um pouco e que sua mãe teria prioridade no atendimento. A mãe dele foi rapidamente atendida, comeu, bebeu e todos foram embora para casa felizes.
Eu poderia nessa situação ter feito "ouvido de mercador", passado direto e me contentado de ser mais um "FDP" no mundo, no entanto, fiz o que poucos fazem, fui escutar o que o "Outro" tinha a dizer. Mais do que escutar, fui tentar ajudá-lo. Se ele, em seu momento de raiva não tivesse xingado eu provavelmente teria passado direto, mas como eu escutei e também tenho mãe, me identifiquei com o rapaz e sua revolta.

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